Liberais condenam caos na mobilidade em Matosinhos
Liberais condenam caos na mobilidade em Matosinhos gerado por mau planeamento e falta de comunicação nas obras públicas
A Iniciativa Liberal (IL) Matosinhos manifesta profunda preocupação com a degradação das condições de mobilidade no concelho, agravada pela simultaneidade de várias frentes de obra, pela falta de planeamento, coordenação e de comunicação atempada sobre os seus impactos. Cortes de vias, alterações sucessivas de percursos e acessos condicionados, muitas vezes definidos sem avaliação do seu impacto concreto no terreno, têm agravado a imprevisibilidade das deslocações e os constrangimentos sentidos diariamente por quem vive, trabalha ou circula em Matosinhos.
“A mobilidade não se mede em quilómetros, mede-se em minutos perdidos - minutos que são momentos importantes com a família e oportunidades desperdiçadas para quem trabalha e estuda. O que hoje se vive em Matosinhos não resulta apenas de uma obra ou de um condicionamento isolado, mas sim da acumulação de decisões avulsas, sem planeamento prévio e sem uma visão integrada para a mobilidade do concelho”, afirma Beatriz Vieira, Deputada Municipal e coordenadora da IL Matosinhos.
Novos condicionamentos em Leça da Palmeira expõem falhas de planeamento e de comunicação
Os novos condicionamentos de circulação na Avenida Dr. António Macedo, junto à Exponor, voltaram a expor as fragilidades na forma como a obra do MetroBus tem sido gerida e comunicada à população. As recentes alterações, comunicadas de forma insuficiente e tardia, têm uma duração prevista de dois meses e afetam diretamente os acessos de moradores às suas próprias habitações, garagens e de vários equipamentos e atividades económicas daquela zona. Para a IL, não é aceitável que intervenções desta dimensão avancem sem uma avaliação prévia no terreno, sem que moradores, comerciantes e instituições locais disponham, em tempo útil, de informação clara sobre as fases da obra, as alterações à circulação, as alternativas de acesso funcionais e as medidas previstas para mitigar os seus impactos.
“As dúvidas da IL sobre o MetroBus e sobre a relação custo-benefício do projeto são conhecidas, mas o problema já não se resume à opção de investimento. O problema é também a forma como a obra está a ser gerida na relação com a comunidade. Não é aceitável que comerciantes e moradores tomem conhecimento de um corte de acessos com apenas um dia útil de antecedência, sem comunicação oficial clara e suficiente, e que, à data, continuem sem uma resposta sobre como poderão aceder às próprias garagens ou como será assegurada a recolha de resíduos durante este período. É ainda mais difícil compreender que uma alteração com este impacto nem sequer esteja devidamente refletida na informação disponibilizada online.”.
Foi precisamente para responder a estes problemas que a Iniciativa Liberal apresentou, na Assembleia Municipal de 29 de junho, uma recomendação para melhorar a comunicação, a transparência e a gestão do impacto das obras públicas em Matosinhos. A proposta defendia um modelo mais integrado de acompanhamento público das principais intervenções, com informação centralizada e pesquisável sobre localização, objetivos, estado de execução, prazos, condicionamentos e medidas de mitigação.
A recomendação foi chumbada com os votos contra do PS. “Fica cada vez mais claro que temos razão. É difícil compreender que, num momento em que os matosinhenses sentem diariamente o impacto destas obras, o PS tenha recusado uma proposta moderada e construtiva para melhorar a informação e a previsibilidade. Não pedimos mais burocracia. Pedimos mais respeito pelo tempo de quem é afetado pelas decisões públicas.”.
Câmara acorda tarde para os problemas estruturais da mobilidade
A saturação dos principais eixos rodoviários, a fragilidade das ligações entre Matosinhos e Leça da Palmeira e a pressão adicional que resultará do crescimento previsto para as freguesias mais urbanas de Matosinhos são problemas conhecidos há vários anos. O recente apelo da Presidente da Câmara ao Governo é, por isso, necessário, mas tardio, e não pode servir para diluir as responsabilidades do Executivo municipal no planeamento e antecipação destes problemas junto dos munícipes que representa.
“A Iniciativa Liberal tem, ao longo dos últimos anos, apelado ao Executivo municipal para que assuma, com maior ambição, as responsabilidades que lhe cabem no planeamento da mobilidade e para que reivindique, junto do Governo central, os investimentos necessários. Matosinhos precisa de uma visão de mobilidade para as próximas décadas, integrada com a Área Metropolitana do Porto, e não de uma sucessão de respostas avulsas quando os problemas já estão instalados. Só estamos nesta situação por falta de antecipação e coragem política dos governos local e central.”, afirma a IL Matosinhos.
Essa estratégia transversal deve, entre outras frentes, passar pela expansão da rede de Metro, pelo reforço da rede de autocarros e da sua frequência, por soluções Park & Ride junto às estações de Metro, pelo aumento da capacidade e fluidez dos principais eixos rodoviários, incluindo o alargamento da A28 entre a A4 e a Rotunda AEP, e pelo estudo de novas soluções de travessia entre Matosinhos e Leça da Palmeira. A IL defende ainda a avaliação de um hub intermodal na zona do Senhor de Matosinhos e uma política de ordenamento do território que promova novas centralidades de emprego, comércio e serviços.
“Defendemos um Estado mais focado, mas também mais competente. Garantir boas infraestruturas, uma rede de transportes funcional e condições para a livre circulação de pessoas e bens faz parte desse núcleo essencial de responsabilidades públicas. Em Matosinhos, o que temos visto é precisamente o contrário”.
Um artigo de Beatriz Vieira, Deputada Municipal pela Iniciativa Liberal de Matosinhos