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Liberais condenam caos na mobilidade em Matosinhos

2026/07/08
Liberais condenam caos na mobilidade em Matosinhos gerado por mau planeamento e falta de comunicação nas obras públicas

A Iniciativa Liberal (IL) Matosinhos manifesta profunda preocupação com a degradação das condições de mobilidade no concelho, agravada pela simultaneidade de várias frentes de obra, pela falta de planeamento, coordenação e de comunicação atempada sobre os seus impactos. Cortes de vias, alterações sucessivas de percursos e acessos condicionados, muitas vezes definidos sem avaliação do seu impacto concreto no terreno, têm agravado a imprevisibilidade das deslocações e os constrangimentos sentidos diariamente por quem vive, trabalha ou circula em Matosinhos.

A mobilidade não se mede em quilómetros, mede-se em minutos perdidos - minutos que são momentos importantes com a família e oportunidades desperdiçadas para quem trabalha e estuda. O que hoje se vive em Matosinhos não resulta apenas de uma obra ou de um condicionamento isolado, mas sim da acumulação de decisões avulsas, sem planeamento prévio e sem uma visão integrada para a mobilidade do concelho”, afirma Beatriz Vieira, Deputada Municipal e coordenadora da IL Matosinhos.

Novos condicionamentos em Leça da Palmeira expõem falhas de planeamento e de comunicação

Os novos condicionamentos de circulação na Avenida Dr. António Macedo, junto à Exponor, voltaram a expor as fragilidades na forma como a obra do MetroBus tem sido gerida e comunicada à população. As recentes alterações, comunicadas de forma insuficiente e tardia, têm uma duração prevista de dois meses e afetam diretamente os acessos de moradores às suas próprias habitações, garagens e de vários equipamentos e atividades económicas daquela zona. Para a IL, não é aceitável que intervenções desta dimensão avancem sem uma avaliação prévia no terreno, sem que moradores, comerciantes e instituições locais disponham, em tempo útil, de informação clara sobre as fases da obra, as alterações à circulação, as alternativas de acesso funcionais e as medidas previstas para mitigar os seus impactos.

As dúvidas da IL sobre o MetroBus e sobre a relação custo-benefício do projeto são conhecidas, mas o problema já não se resume à opção de investimento. O problema é também a forma como a obra está a ser gerida na relação com a comunidade. Não é aceitável que comerciantes e moradores tomem conhecimento de um corte de acessos com apenas um dia útil de antecedência, sem comunicação oficial clara e suficiente, e que, à data, continuem sem uma resposta sobre como poderão aceder às próprias garagens ou como será assegurada a recolha de resíduos durante este período. É ainda mais difícil compreender que uma alteração com este impacto nem sequer esteja devidamente refletida na informação disponibilizada online.”.

Foi precisamente para responder a estes problemas que a Iniciativa Liberal apresentou, na Assembleia Municipal de 29 de junho, uma recomendação para melhorar a comunicação, a transparência e a gestão do impacto das obras públicas em Matosinhos. A proposta defendia um modelo mais integrado de acompanhamento público das principais intervenções, com informação centralizada e pesquisável sobre localização, objetivos, estado de execução, prazos, condicionamentos e medidas de mitigação.

A recomendação foi chumbada com os votos contra do PS. Fica cada vez mais claro que temos razão. É difícil compreender que, num momento em que os matosinhenses sentem diariamente o impacto destas obras, o PS tenha recusado uma proposta moderada e construtiva para melhorar a informação e a previsibilidade. Não pedimos mais burocracia. Pedimos mais respeito pelo tempo de quem é afetado pelas decisões públicas.”.

Câmara acorda tarde para os problemas estruturais da mobilidade

A saturação dos principais eixos rodoviários, a fragilidade das ligações entre Matosinhos e Leça da Palmeira e a pressão adicional que resultará do crescimento previsto para as freguesias mais urbanas de Matosinhos são problemas conhecidos há vários anos. O recente apelo da Presidente da Câmara ao Governo é, por isso, necessário, mas tardio, e não pode servir para diluir as responsabilidades do Executivo municipal no planeamento e antecipação destes problemas junto dos munícipes que representa.

A Iniciativa Liberal tem, ao longo dos últimos anos, apelado ao Executivo municipal para que assuma, com maior ambição, as responsabilidades que lhe cabem no planeamento da mobilidade e para que reivindique, junto do Governo central, os investimentos necessários. Matosinhos precisa de uma visão de mobilidade para as próximas décadas, integrada com a Área Metropolitana do Porto, e não de uma sucessão de respostas avulsas quando os problemas já estão instalados. Só estamos nesta situação por falta de antecipação e coragem política dos governos local e central.”, afirma a IL Matosinhos.

Essa estratégia transversal deve, entre outras frentes, passar pela expansão da rede de Metro, pelo reforço da rede de autocarros e da sua frequência, por soluções Park & Ride junto às estações de Metro, pelo aumento da capacidade e fluidez dos principais eixos rodoviários, incluindo o alargamento da A28 entre a A4 e a Rotunda AEP, e pelo estudo de novas soluções de travessia entre Matosinhos e Leça da Palmeira. A IL defende ainda a avaliação de um hub intermodal na zona do Senhor de Matosinhos e uma política de ordenamento do território que promova novas centralidades de emprego, comércio e serviços.

Defendemos um Estado mais focado, mas também mais competente. Garantir boas infraestruturas, uma rede de transportes funcional e condições para a livre circulação de pessoas e bens faz parte desse núcleo essencial de responsabilidades públicas. Em Matosinhos, o que temos visto é precisamente o contrário”.

Um artigo de Beatriz Vieira, Deputada Municipal pela Iniciativa Liberal de Matosinhos

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